segunda, 20 de setembro de 2021

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Data: Quarta-feira, 23 de junho de 2021     Fonte: G1 MT

É preciso reeducar os homens e educar filhos contra o machismo para reduzir casos de violência contra a mulher

Mulheres vítimas de parceiros possessivos são atacadas dentro da própria casa e às vezes na frente dos filhos.
Reprodução

Uma cartilha elaborada pela Câmara Setorial Temática da Mulher, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, traz dados sobre o perfil dos agressores e das vítimas de violência doméstica e também orientações sobre como quebrar o ciclo de crimes contra a mulher.

Não basta as mulheres mudarem de atitude, sejam mais corajosas e empoderadas, se os homens permanecerem como sempre foram. Se não houver mudança das duas partes, não haverá melhora significativa na relação, podendo, inclusive, tornar-se ainda mais violenta.

De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT), os registros de assassinatos contra a mulher aumentou 78% neste ano em relação ao ano passado.

A cartilha explica sobre o sentimento de posse do parceiro em relação à vítima. O homem se sente 'dono' da mulher, por não se conformar com o rompimento da relação, e isso desencadeia os assassinatos de mulheres.

Mulheres vítimas desses parceiros possessivos são atacadas dentro da própria casa e às vezes na frente dos próprios filhos. Um estudo do Atlas da Violência de 2019 indica que cerca de 17,1% dos assassinatos ocorreram na casa das vítimas.

Em relação à violência contra a mulher negra, em todo o Brasil, 4.645 mulheres foram assassinadas em 2016. Devido à precariedade das políticas que não abrangem mulheres e menos ainda mulheres negras, elas têm três vezes mais chances de serem vítimas de feminicídio se comparar a mulheres brancas.

Desigualdade salarial entre mulheres e homens

Um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019 comprovam que as mulheres ganham em média 20,5% menos do que os homens em todas as profissões, ocupando o mesmo cargo e exercendo as mesmas funções.

Além da diferença salarial, as mulheres possuem vários outras atividades relacionado a família, filhos e cuidados domésticos. É perceptível como poucas mulheres possuem cargos de chefia e comandos. Essas ocupações geralmente são designadas aos homens com a justificativa de serem mais aptos a cargos de liderança.

Entretanto, as mulheres que possuem filhos precisam dedicar um tempo maior pela dependência nos primeiros anos da criança. Na maioria das famílias, as mulheres tendem a cuidar mais dos filhos e de cuidados domésticos se comparado aos parceiros.

Educação não machista

Um dos caminhos para mudar uma sociedade machista baseia-se na educação das crianças. Essa cultura pode ser mudada aos poucos ensinando valores igualitários e estimulando as crianças buscarem mais a igualdade.

Algumas tarefas que são designadas as meninas podem ser mudadas destinando também aos homens, como os cuidados domésticos e cuidados com os filhos. Ainda sim, a educação rígida baseada em agressões podem gerar filhos mais autoritários e possessivos, posteriormente, com suas parceiras.

Essas ações podem ajudar os meninos a serem mais companheiros, demonstrarem mais emoção e sem a persistência de distinção de gêneros pré-existentes.

Mulheres nos espaços públicos

Na segunda-feira (21), foi realizado na Assembleia Legislativa um seminário denominado “Mulheres no Espaço Público”, com o objetivo de debater e analisar como se articulam as relações das mulheres nas instâncias de poder.

Participaram do debate a desembargadora e presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Maria Helena Póvoas, a supervisora da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Maria Amorim Ziouva e o juiz de direito da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Cuiabá, Jamilson Haddad.

Única mulher deputada, a deputada Janaina Riva (MDB) defendeu pautas como a realização de debates nas escolas sobre a importância da participação da mulher na política e a definição de cota de gênero para ocupação de cadeiras dos legislativos.

“Estou apostando muito nessa reforma eleitoral para que nós possamos dar o passo inicial para reserva de vagas de 15% às mulheres. Isso vai ser uma redenção no estado de Mato Grosso. Parece não ser muita coisa, mas aqui na Assembleia seremos quatro mulheres”, afirmou.