quarta, 24 de fevereiro de 2021

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Data: Sexta-feira, 15 de janeiro de 2021     Fonte: G1 MT

Entidades fazem petição para que elefanta Bambi permaneça no Santuário em MT após pedido de transferência para zoológico de SP

Bambi desembarcou no Santuário em MT no dia 26 de setembro de 2020. No entanto, no mês passado, o promotor Wanderley Batista da Trindade Júnior fez um pedido à 1ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto (SP) para que a elefanta seja devolvida ao zoológi
Reprodução

Um grupo de entidades brasileiras e internacionais assinaram uma petição, nesta quinta-feira (15), e estão promovendo uma campanha 'Bambi fica na Manada' para que a elefanta Bambi permaneça no Santuário de Elefantes do Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT), a 65 km de Cuiabá.

Bambi desembarcou no Santuário no dia 26 de setembro de 2020. No entanto, no mês passado, o promotor do Ministério Público de Ribeirão Preto (SP), Wanderley Batista da Trindade Júnior, fez um pedido à 1ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão para que a elefanta seja devolvida ao zoológico da cidade.

O pedido foi feito após Bambi ser separada Mara, pois não estavam se dando bem. Wanderley alega ainda que a elefanta transferida deve ser devolvida, pois faz parte do 'patrimônio público' da cidade.

 

"O questionamos, pois está a tratando como coisa. Os animais não são meros bens ambientais. Estamos muito otimista para a permanência da Bambi", ressaltou o voluntário da ONG Olhar Animal, Maurício Varalho.

 

Na petição, os ambientalistas e voluntários de ONGs ressaltando que Bambi deve ser detentora de direitos que a protejam "como um ser senciente não humano, ou seja, direitos que protejam seus interesses, devendo ser aplicado a todos os animais".

Adaptação

Nas redes sociais, o Santuário de Elefantes do Brasil informou, nesta quinta-feira (15), foi criada a oportunidade para Bambi passar um tempo com Rana para ajudá-la a aprender habilidades básicas de socialização.

"Decidimos então tentar a interação das duas juntas em um recinto maior, na esperança de que, com mais espaço, Mara fosse mais tolerante", explica.

Segundo o Santuário, os voluntários ficaram perto de Mara para observar as duas juntas. Pouco menos de uma hora depois de estar no recinto 4, Bambi viu Mara brincando na lama.

"Houve uma grande festa de trombeteios e estrondos e, uma vez que se acomodaram, ambas ficaram muito calmas e relaxadas. Elas aplicaram uma bela camada de lama, e tudo parecia correr bem. Rana estava perto do galpão durante esse encontro, e também tinha acesso ao recinto 4, então as três se encontraram em algum momento", disse.

Bambi é a 7ª moradora do Santuário de Elefantes do Brasil. Guida e Maia foram os primeiros elefantes do santuário e chegaram em Mato Grosso em outubro de 2016. Também já viveu no local a elefanta Ramba, que morreu em dezembro do ano passado. Guida morreu em junho, também no ano passado.

Atualmente, além de Maia, vivem no local Rana, Lady, Mara e agora a Bambi.

Trajetória de Bambi

Bambi, de 58 anos e 3,7 mil quilos, é cega do olho esquerdo e tem problemas na mandíbula. O animal passou parte da vida no Circo Stankowich e morou no zoológico de Leme (SP) antes de ser levado a Ribeirão Preto. Na cidade, dividiu espaço com Maison, elefanta da mesma espécie que vive no recinto desde 2013.

Há seis anos, equipes do zoo iniciaram o processo de pareamento entre as duas, mas identificaram que Bambi se sentia dominada e acuada por Maison. Por isso, as elefantas se revezavam para utilizar o pátio externo do espaço destinado a elas.

Segundo o bosque de Ribeirão Preto, a aproximação dos animais só começou a apresentar sinais positivos em março deste ano, após reformas e adaptações no recinto.

Esse foi um dos motivos que levou o Santuário a iniciar as negociações para ter a tutela de Bambi, em 2018. O imbróglio também foi parar no Ministério Público e um inquérito foi aberto.